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Como implementar acessibilidade em materiais Didáticos Digitais (HTML5)

ME. RENATO ADRIANO PEZENTI

INICIE

TÓPICO 01

Acessibilidade na Web

Segundo Tim Berners-Lee, diretor do W3C e idealizador da World Wide Web, o poder da web está na sua universalidade, o acesso por todas as pessoas, não obstante a sua deficiência, é um aspecto essencial. Para o W3C, é essencial que a web seja acessível, de modo a prover igualdade de acesso e de oportunidades para pessoas com diferentes capacidades. Berners-Lee acrescenta que a acessibilidade sustenta a inclusão social de pessoas com deficiência, idosos, residentes em áreas rurais ou de difícil acesso, incluindo locais onde a internet é de baixa velocidade (realidade de grande parte do Brasil).

Saiba Mais!

O World Wide Web Consortium (W3C) é a principal organização de padronização da World Wide Web. Ela é um consórcio internacional com mais 450 membros, fazem parte: empresas, órgãos governamentais e organizações independentes que têm como finalidade ditar os padrões para a criação e a interpretação dos conteúdos criados para a Web.

Assim, entendemos que não podemos limitar a aplicabilidade do conceito de acessibilidade apenas a usuários com deficiência e mobilidade reduzida. Acessibilidade é para todos! Assim, utilizaremos o termo “acessibilidade” no sentido de: 

[...] possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização, em igualdade de oportunidades, com segurança e autonomia, do meio físico, do transporte, da informação e da comunicação, inclusive dos sistemas e tecnologias de informação e comunicação (aqui representados pelos materiais didáticos), bem como de outros serviços e instalações. (W3C, online).

A seguir vamos focar na aplicação do conceito de  “acessibilidade” nos materiais didáticos digitais (HTML5), que são disponibilizados via WEB no EaD.

TÓPICO 02

Qual a importância de deixar seu conteúdo acessível?

É fato que a procura e aceitação pela modalidade Ead tem aumentado, visto os números do último censo do INEP (2018). Grande parte do público em geral tem se adaptado às novas tecnologias e se sentem cada vez mais confortáveis em realizar todo tipo de atividade no mundo virtual, incluído estudar. Por isso, além de possuir um design bem elaborado e atraente, os materiais didáticos necessitam atender a todos. Quando um material didático não está acessível, ele está fechando as portas para centenas de milhares de indivíduos, indo contra um dos propósitos mais básicos da educação – o de alcançar, incluir e “formar cidadãos capazes de contribuir para a harmonia social” (Émile Durkheim).


BENEFÍCIOS DA ACESSIBILIDADE PARA AS IES

As IES que se preocupam com acessibilidade conquistam, claramente, o benefício de melhorar sua imagem perante o público e mercado, o que pode acarretar  ganho direto nos negócios. Porém, a melhoria da imagem não é o único benefício de implementar acessibilidade, nem mesmo pode ser considerado o maior deles. Os principais benefícios que podem ser alcançados instituições que zelam pela acessibilidade de seus conteúdos e serviços web estão listados a seguir.

1. RESPONSABILIDADE SOCIAL

Um dos princípios fundamentais da responsabilidade social é o respeito pelo Estado de direito, que implica em ações dentro das empresas, que ultrapassam o ato de estar em conformidade com as leis. As empresas devem reconhecer que a responsabilidade social tem de ser conduzida com base em valores éticos, sempre priorizando o respeito ao ser humano e à promoção da cidadania.

A acessibilidade dos materiais é um aspecto da responsabilidade social das IES. Ela possui o poder de gerar impacto positivo em funcionários, diretoria, fornecedores, parceiros e colaboradores, além é claro dos próprios alunos. 

A acessibilidade dos materiais didáticos faz, portanto, parte da responsabilidade social, e demonstra seu compromisso em promover a igualdade de oportunidades. 

2. FORTALECIMENTO DA MARCA

Quando o discurso sobre o poder de transformação da educação e seus ideais de inclusão se tornam ações efetivas, essas ações costumam melhorar a imagem das instituições junto ao público em geral. No caso da acessibilidade, porém, os ganhos na imagem vão além dessa associação e são mais diretos. Quando um conteúdo se torna acessível e amigável, ele resgata a imagem da IES para aqueles usuários que não conseguiam ou tiveram dificuldades em acessá-lo anteriormente.

3. FIDELIZAÇÃO DE USUÁRIOS E CLIENTES (retenção)

Alunos que têm dificuldade para acessar na Web de um modo geral, devido à deficiência ou por outros motivos, estão mais suscetíveis a se tornarem clientes fiéis e estudantes mais engajados onde lhe são oferecidos facilidade de acesso. Pessoas com deficiência e mobilidade reduzida totalizam uma quantidade nada desprezível de brasileiros. Segundo dados do IBGE, 23,9% da população brasileira (mais de 45 milhões) declaram ter alguma limitação relacionada à deficiência, 11% (cerca de 20 milhões) são idosos (público que tem aumentado no EAD).

4. VANTAGEM COMPETITIVA

Em um mercado no qual, ainda hoje, a grande maioria (apesar de saber da importância) ainda não implementou acessibilidade em seus materiais, ter um bom material acessível por todos e em todos os lugares é uma grande vantagem competitiva em relação a uma IES que tenha essas limitações técnicas.

5. MELHORIA DO DESEMPENHO

O desempenho é um dos elementos mais ignorados no desenvolvimento de produtos digitais no EAD, mas é, certamente, um dos mais relevantes para a acessibilidade. Segundo pesquisas realizadas pela Akamai e Gomez.com, quase 50% dos usuários de dispositivos móveis esperam que um site carregue em até 2 segundos, e eles tendem a abandonar a página se o tempo for superior a 3 segundos.

Considerando-se as conexões banda larga, 3G/4G e discada em um país como o Brasil, com dimensões continentais, objetos de aprendizagem - materiais didáticos, videoaulas, infográficos, audiobooks etc -   com o desempenho otimizado não somente podem oferecer melhores experiências para todos os usuários/alunos, como também contribuem significativamente para melhora na experiência de navegação de pessoas com deficiência visual, que utilizam leitores de telas e só podem começar a interagir com uma página quando seu último elemento for carregado. Por esse motivo seguir padrões de desenvolvimento de páginas web acessíveis auxilia o processo de tornar o carregamento de uma página mais eficaz.

6. Maior Alcance e Cobertura

A construção de materiais digitais em conformidade com os padrões web estabelecidos pelo W3C, padrões esses usados amplamente pelo mercado mundial de agentes de usuário e tecnologia assistiva, aumenta a portabilidade e a compatibilidade com todos os dispositivos, plataformas, sistemas, tecnologia assistiva e navegadores. Isso possibilita que mais pessoas, que utilizam os mais diversos dispositivos e software (inclusive tecnologia assistiva), tenham acesso pleno ao conteúdo disponibilizado via Web.

7. Respeito e cumprimento da LEI 13.146/2015.

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – Estatuto da Pessoa com Deficiência. Destaque para o  artigo 28 que estabelece as obrigações a serem cumpridas pelo poder público na oferta de educação à pessoa com deficiência, lembrando que seu parágrafo 1º estende, para as instituições de ensino privadas de qualquer nível ou modalidade, as obrigações.

Saiba Mais!

Leia o Artigo 28 da Lei 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência – Estatuto da Pessoa com Deficiência) na integra clicando no botão a baixo.

Ler o Artigo 28
"... o essencial é invisível aos olhos".
Antoine de Saint-Exupéry

BENEFÍCIOS PARA OS ALUNOS


A acessibilidade traz benefícios para todos os usuários, mas é fato que os maiores beneficiados são aquelas com deficiências e mobilidade reduzida, além de idosos e leigos no uso do computador.

Quando os conteúdos são acessíveis, é possível atingir os seguintes resultados:

  1. Pessoas cegas que utilizam programas leitores de tela no computador navegam sem dificuldade pelos conteúdo, preenchem formulários, acionam botões por meio de comandos do teclado e conseguem acessar, inclusive, as informações que estão em imagens, por meio de textos alternativos.
  2. Pessoas com dificuldade de visão, em seus mais variados níveis, não têm dificuldade com o contraste, nem para identificar e clicar em hiperlinks, barras e botões, nem para aumentar o tamanho das letras.
  3. Pessoas que não conseguem identificar algumas cores não se confundem nem perdem informações, porque todas as informações apresentadas por meio de cores são transmitidas também de outras formas.
  4. Pessoas surdas ou com deficiência auditiva acessam informações em áudio e vídeo com legendas, transcrições e traduções em LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais).
  5. Pessoas com deficiência motora e mobilidade reduzida que utilizam apenas o teclado para acessar os conteúdos navegam com facilidade por todos os menus e seus subitens, formulários  e informações disponíveis.
  6. Pessoas com dificuldade de aprendizagem ajustam a velocidade dos conteúdos e têm acesso a diferentes formatos: texto, áudio e vídeo para aprimorarem seus estudos.
  7. Pessoas com baixa experiência computacional aprendem com facilidade a utilizar os recursos disponíveis e encontram com rapidez todas as informações de que necessitam.
  8. Pessoas com idade avançada conseguem encontrar todas as informações de que necessitam devido ao bom contraste, assim como pelo tamanho dos textos, navegabilidade e baixa complexidade das interações.
  9. Pessoas com problemas de conexão com a Internet acessam as páginas web com facilidade e navegam com ótimo desempenho.
  10. Pessoas com dispositivos móveis acessam todos os conteúdos, mesmo utilizando telas e teclados muito pequenos e com velocidade de conexão e capacidade de processamento e armazenamento reduzidas.

TÓPICO 03

4 Dicas para implementar acessibilidade

1. Design universal - Projetando para todos

Os princípios do Design Universal são conceitos de acessibilidade que o designer de produto deve ter em mente ao desenvolver um design que seja praticável a todos.

Consideramos um design que seja acessível a todos, que se adapta cada vez mais às diferentes habilidades e necessidades das pessoas e que exige delas cada vez menos esforço individual adaptativo, o qual, como sabemos, acaba sempre por excluir muitas pessoas da participação na vida social e também por privar a sociedade da contribuição que poderia ser trazida por essas pessoas.

 7 princípios do Design universal 

1. Equiparação nas possibilidades de uso:

Pode ser utilizado por qualquer usuário em condições equivalentes.

2. Flexibilidade de uso:

Atende a uma ampla gama de indivíduos, preferências e habilidades individuais.

3. Uso simples e intuitivo:

Fácil de compreender, independentemente da experiência do usuário, de seus conhecimentos, aptidões linguísticas ou nível de concentração.

4. Informação perceptível:

Fornece de forma eficaz a informação necessária, quaisquer que sejam as condições ambientais/físicas existentes ou as capacidades sensoriais do usuário.

5. Tolerância ao erro:

Minimiza riscos e consequências negativas decorrentes de ações acidentais ou involuntárias.

6. Mínimo esforço físico:

Pode ser utilizado de forma eficiente e confortável, com um mínimo de fadiga.

7. Dimensão e espaço para uso e interação:

Espaço e dimensão adequados para a interação, o manuseio e a utilização, independentemente da estatura, da mobilidade ou da postura do usuário.

Ao se aplicarem à web os princípios do Desenho universal, conclui-se que os objetos e ambientes utilizados nos sítios devem ser projetados para serem utilizados, sem modificação ou assistência externa, pelo maior número de pessoas possível, independentemente de suas habilidades motoras, visuais, auditivas, táteis ou de qualquer outra condição que possa oferecer dificuldade na finalização de uma tarefa.

Os objetos e ambientes são veiculados na Internet por meio de códigos, que devem se adequar a certos padrões para permitir que tanto os controles de navegação quanto o conteúdo sejam compatíveis com a ampla variedade de dispositivos de acesso à web, e com toda a diversidade da tecnologia assistiva utilizada por pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. 

2. Não dependa da cor (Uso de alto Contraste)

A cor é uma ferramenta poderosa que costumamos usar para expressar emoções e comunicar mensagens na Web. No entanto, não devemos colocar toda nossa fé em cores para transmitir significado e informações aos nossos usuários.

Por exemplo, é amplamente conhecido que verde significa “certo” e vermelho significa “errado”, mas o que acontece quando usamos isso como nosso único meio de comunicação?

Dica!

Uma dica importante na hora da escrita é não associar a visualização e compreensão de elementos textuais a uma cor, alguns autores fazem uso desse recurso quando querem enfatizar algo ou explicar algum termo. Lembre-se que o conteúdo pode ser lido por um assistente de áudio, ou como é o caso dos materiais da B42 ser disponibilizado com uma versão em audiobook.

Quem é daltônico tem dificuldades para diferenciar, por exemplo, o vermelho do verde ou o azul do amarelo. Cerca de 8% da população mundial masculina é daltônica. As mulheres representam cerca de 1% neste grupo.

É muito importante também utilizar contraste de cores. Mesmo quem possui a monocromia tem dificuldade de perceber as diferentes variações de luz. Para garantir que haja leitura é importante definir cores que tenham contraste. Um exemplo: um texto em branco em cima de uma cor escura de fundo terá mais contraste que um texto branco em cima de um fundo amarelo. Você pode observar que a ferramenta de acessibilidade presente nos materiais da B42 possui a função “alto contraste” que ajuda na solução dessa dificuldade.

3. Zoom da Página (Design Responsivo)

Uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que no Brasil mais de 35 milhões de pessoas sofrem algum problema de visão (aproximadamente 19% da população). 

Além de ser uma diretriz da WCAG, a capacidade de ampliar o conteúdo é uma ferramenta que pode simplificar a vida cotidiana das pessoas com algum problema de visão (Miopia, astigmatismo e hipermetropia). 

Para analisar se o layout do seu conteúdo foi bem desenvolvido, ele tem que permitir que os usuários façam zoom livremente em dispositivos móveis, é importante também verificar se o layout tem boa aparência com zoom de até 200% nos navegadores de desktop (você pode dar zoom no seu navegador utilizando os atalhos: cmd+ no Mac ou crtl+ no Windows/Linux).

Se um material é desenvolvido com um layout 100% responsivo, ao dar zoom o conteúdo se ajustará de forma fluída na tela. A ferramenta de acessibilidade presente nos materiais da B42 possui a função aumentar e diminuir fonte, que permite ao aluno ajustar o tamanho do texto livremente. 

4. Descrição das imagens: atributo alt

O texto alternativo é utilizado para descrever o conteúdo de uma imagem, ele é inserido através do atributo alt na tag <img>. Além de auxiliar o usuário em situações, como um erro no carregamento da imagem devido a uma conexão ruim ou até um erro na url da imagem, é também de suma importância para os deficientes visuais. Visto que é pela descrição da imagem que os cegos conseguem identificar do que se trata o “gráfico” (nome dado pelos leitores de tela para sinalizar que naquele local existe uma imagem, mesmo quando não existe o alt na tag <img>).

  • O atributo alt é obrigatório para todas as tags img, e um atributo alt vazio é completamente válido. 
  • Os leitores de tela informam ao usuário que uma tag <img> é uma imagem, portanto não há necessidade de ser redundante e começar seu alt com "Uma imagem de...", vá direto ao ponto
  • A função de uma imagem é tão importante quanto o seu significado: se o seu logotipo criar um link para à página inicial do seu material, o texto alternativo deverá ser algo como “Página inicial” ao invés de “Logotipo”.
  • Texto alternativo não é apenas sobre acessibilidade. Às vezes, usuários com conexões lentas desativam as imagens para obter uma experiência mais rápida no navegador. Tenha também esses usuários em mente sempre que você escrever seus atributos alt!

Na Prática

Como fazer um alt de qualidade?

Imagine a seguinte situação: Você está dando uma entrevista em um programa de rádio e precisa descrever para o ouvinte a foto que está segurando em suas mãos.

referências

BARROS, C. S. G. Pontos de Psicologia do Desenvolvimento. São Paulo: Ática, 2008.

BERGAMO, R. B. Educação Especial: pesquisa e prática. Curitiba: InterSaberes, 2012.

BIASOLI-ALVES, Z. M. M. Contribuições da psicologia ao cotidiano da escola: necessárias e adequadas?. Paidéia.Ribeirão Preto,  n. 12-13, p. 77-96,  Ago.  1997 .   Disponível em: <http: bit.ly="" 2vxvln3="">. Acesso em: 29 jul. 2018.</http:>

BRASIL. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, DF, jan. 2008.

MAIA, C. M. Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem. Curitiba: Intersaberes, 2017.

MOTA, M. E. da. Psicologia do desenvolvimento: uma perspectiva histórica.Temas psicol.,  Ribeirão Preto,  v. 13, n. 2, p. 105-111, dez.  2005. Disponível em: <http: bit.ly="" 2qbbrgb="">. Acesso em:  19  jun.  2018.</http:>

NOGUEIRA, M. O. G.; LEAL, D. Teorias da aprendizagem: um encontro entre os pensamentos filosófico, pedagógico e psicológico. Curitiba: InterSaberes, 2018.

PILETTI, N.; ROSSATO, S. M.; ROSSATO, G. Psicologia do Desenvolvimento. São Paulo: Contexto, 2014.

Transposição de Conteúdo

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